sábado, 12 de abril de 2008

07/07/2005

Olhando pela janela do ônibus,
o céu escuro
tive a certeza de que só queria que toda a luz ao meu redor apagasse.
Não ver nada
só sentir o frio e ouvir os trompetes.

Me perdia nas cenas do lado de fora da minha vitrine suja.
Que estranheza é essa que não me pertence?
Tudo tão absurdo.
As pessoas passavam por mim e me causavam calafrios.
pessoas.
Suas cores e manchas.

O respeitável senhor que tirava os óculos para ler sua revista de futilidades
(dias na vida de pessoas distantes)
Camisa amarela e uma mala que parecia vazia
(dias na minha vida distante)
Pelo reflexo eu via os rostos sorridentes
ele lia
Parou um bom tempo na foto da moça do creme hidratante.
Como se procurasse a beleza.
Esse tipo de beleza que vem de graça. Num saquinho de 2 gramas,
só pra gente saber como é.

E como seria bom se as luzes se apagassem de verdade
E não houvesse mais necessidade de cores, manchas, sorrisos e reflexos.
Só o frio da janela, o trompete e o medo da chuva na minha roupa branca.

E foi assim que, logo eu, desejei pela primeira vez ficar no escuro e não saber
(não saberia nem de ti).

Com essa mania de pensar em fugas e escolher palavras para longe de mim, quase perco a parada.

Quem sabe onde eu iria parar?

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